Secos e Molhados x Kiss, afinal, teve “plágio visual?”

Capas dos primeiros LP’s das bandas.

Formada no ano de 1970, a banda Secos & Molhados transformou a cultura brasileira, não apenas pela “sonzeira”, mas também pelo visual transgressor, marcado pelas maquiagens e figurinos estravagantes.

Capa do LP Secos & Molhados 1974

Três anos depois, em Nova Iorque, surgiu o Kiss, que fizeram e fazem história até hoje. E que também usavam maquiagens pesadas que fizeram do Kiss uma das marcas mais reconhecíveis do planeta.

Banda kiss 1973

A polêmica foi reacendida neste domingo (15/11/2020) no programa “Canta Comigo Teen da Record”. O competidor mirim Luiz Pavani de apenas 11 anos cantou “O Vira” de Secos & Molhados e um dos jurados, Felipe Simmons Mendes que é cover de “Gene Simmons (Kiss)”, não levantou para o garotinho alegando que “não gostava de Secos & Molhados” por conta da polêmica entre as bandas sobre o possível “plágio visual”.

O cantor Ney Matogrosso, um dos membros originais da Secos e Molhados, defende até hoje que os norte-americanos copiaram o visual dos brasileiros. De acordo com o vocalista, uma turnê do grupo brasileiro fez tanto sucesso no México que ele chegou a ser convidado para fazer carreira nos Estados Unidos, mas acabou recusando. “Alguns meses depois, o Kiss lançou o primeiro album”, contou Ney, em entrevista ao programa Conversa com Bial.

Ney Mato Grosso | foto divulgação

Ainda de acordo com Ney Matogrosso, dois integrantes do Kiss vieram ao Brasil e ficaram hospedados na casa do cantor e compositor Zé Rodrix, que teria mostrado aos rockeiros um álbum do Secos e Molhados e contado a eles que o grupo jamais se apresentava sem maquiagem e que a identidade dos membros era praticamente desconhecida, mesma técnica que acabou sendo usada pelo Kiss. Os americanos, no entanto, negam a afirmação. “Nunca ouvimos falar nessa tal banda. Não temos ideia do que seja ou de que tocam”, disse Paul Stanley durante uma entrevista coletiva no Brasil em 1994. Pesquisadores também comprovaram que o Kiss surgiu antes da turnê do Secos e Molhados no México.

O fato é, quem ganhou com tudo isso foi a música, pois ambas as bandas sempre empolgaram os fãs.

Os Secos & Molhados estão inscritos em uma categoria privilegiada entre as bandas e músicos que levaram o Brasil da bossa nova ao o rock brasileiro. Seus dois álbuns de estréia incorporaram elementos novos à MPB, que vai desde a poesia ao rock progressivo, servindo como fundamental referência para uma geração de bandas underground. O grupo continua a ganhar atenção das novas gerações: em 2007, a Rolling Stone Brasil posicionou o primeiro LP em quinto lugar na sua lista dos 100 maiores discos da música brasileira e em 2008 a Los 250: Essential Albums of All Time Latin Alternative – Rock Iberoamericano o colocou na 97ª posição.

Por: Junim 10B

 

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