Entre 2000 e 2016, o número de partos de mães adolescentes diminuiu muito, segundo dados apurados pela Codeplan

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou nesta terça-feira (2) o estudo Gravidez na adolescência no Distrito Federal: uma análise de 2000 a 2016. O documento traz informações sobre volume e proporção de partos entre mães adolescentes no Brasil e no DF, distribuição de nascimentos e mães adolescentes por grupos de regiões administrativas (RAs) de acordo com a renda, perfil do parto e gestação das mães adolescentes, mortalidade neonatal e das mães adolescentes e o perfil sociodemográfico das mães adolescentes no DF.

“Trata-se de um tema que engloba uma série de políticas públicas intersetoriais, como saúde, assistência social, educação, gênero e juventude”, resume o presidente da Codeplan, Jean Lima. “Para discutir sobre o assunto, é necessário que tenhamos dados e informações consolidadas para entendermos o impacto dessa temática na vida de adolescentes no Distrito Federal.”

“Trata-se de um tema que engloba uma série de políticas públicas intersetoriais, como saúde, assistência social, educação, gênero e juventude”Jean Lima, presidente da Codeplan

A publicação também ganha destaque na avaliação da secretária da Mulher, Ericka Filippelli. “Faz parte da nossa discussão e do nosso planejamento ter um olhar atento para os direitos das meninas jovens e adolescentes”, destaca. “Quando falamos sobre a garantia da saúde sexual e reprodutiva das mulheres, estamos falando de acesso à informação e a métodos contraceptivos. Para isso, quando identificamos o impacto que uma gravidez precoce inesperada gera na vida de uma mãe adolescente, em todas as esferas sociais, precisamos unir esforços para pensar ações e políticas integradas voltadas para ela”.

“Faz parte da nossa discussão e do nosso planejamento ter um olhar atento para os direitos das meninas jovens e adolescentes”Jean Lima, presidente da Codeplan

Também o secretário de Juventude, Kedson Rocha, endossa a importância desse material. “É fundamental compreendermos a realidade das nossas adolescentes para que possamos de fato assisti-las dentro de suas necessidades e, como o próprio estudo sugere, adotar medidas eficazes como gestores públicos”, afirma.

É fundamental compreendermos a realidade das nossas adolescentes para que possamos de fato assisti-las dentro de suas necessidades”Kedson Rocha, secretário de Juventude

Os dados revelam que o número de partos de mães adolescentes (entre 10 e 19 anos) ocorridos no DF diminuiu significativamente, passando de 9.421, em 2000, para 5.266 em 2016, segundo o Sistema Nacional de Nascidos Vivos (Sinasc). No âmbito nacional, 743.194 partos ocorridos em 2000 eram de mães adolescentes. Em 2016, esse número foi de 509.956 partos. Em 2018, a proporção de partos de mães adolescentes no DF ficou em 10%, o menor índice do país. No Brasil, esse percentual era de 16%.

A participação das mães adolescentes de 10 a 14 anos no número de partos ocorridos no DF correspondia a 0,58% em 2000, caindo para 0,38% em 2016. Já o percentual de participação das mães adolescentes de 15 a 19 anos caiu de 19,01%, em 2000, para 11,40%, em 2016. No Brasil, as mães adolescentes de 10 a 14 anos respondiam por 0,88% dos partos em 2000 e 0,83% em 2016, enquanto as de 15 a 19 anos respondiam por 22,40% e 16,56%, respectivamente.

O estudo mostra as diferenças significativas na proporção de mães adolescentes entre as RAs do DF. Em 2016, 0,6% dos partos eram de mães adolescentes de 10 a 14 anos, 17,3% de mães adolescentes de 15 a 19 anos que residiam em regiões de baixa renda e 0,1% de mães adolescentes de 10 a 14 anos e 2,6% de mães adolescentes de 15 a 19 anos residentes em regiões de alta renda. A proporção de mães adolescentes  de 10 a 19 anos variou de 0,86% no Sudoeste/Octogonal a 22,03%, na SCIA/Estrutural.

Perfil das mães adolescentes

De acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) de 2018, 7.077 adolescentes de 14 a 19 anos eram mães, o que correspondia a 5,1% das meninas nessa faixa etária no Distrito Federal.

Nas regiões de média-baixa renda (Brazlândia, Ceilândia, Planaltina, Riacho Fundo, Riacho Fundo II, SIA, Samambaia, Santa Maria e São Sebastião), 7,2% das adolescentes de 14 a 19 anos eram mães, enquanto nas regiões de média-alta renda (Águas Claras, Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho II, Taguatinga e Vicente Pires), esse percentual era de 2,2%.

Entre as mães adolescentes, 81% eram negras; 17% eram casadas ou estavam em união estável regularizada pelo cartório; 35% eram responsáveis ou companheiras de responsáveis pelo domicílio; 54% moravam na mesma residência que seus parceiros; 15% tinham mais de um filho; 75% tinham renda familiar per capita de até meio salário mínimo; 69% não estavam no ensino formal e 17% estavam ocupadas no mercado de trabalho.

Confira o estudo na íntegra.

Acesse o sumário executivo.

Fonte: Agência Brasília

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