Surströmming, a iguaria sueca com um cheiro que se tornou desafio online

Quando a chef Malin Soderstrom abriu a lata, o ar preso escapou com um assobio e encheu a varanda do seu restaurante à beira-mar com o odor pungente da infame iguaria sueca surströmming. Foi este cheiro que catapultou este prato sueco para o estrelato online, onde se tornou um desafio difícil de superar.

Comparado com o cheiro de ovos podres, o surströmming – arenque fermentado – ganhou um grande grupo de apreciadores online, onde os ousados gastrónomos se filmam a provar aquele peixe, que deve ser aberto ao ar livre por causa do cheiro nauseabundo, e de preferência debaixo de água num balde.

Do seu restaurante à beira-mar na pequena aldeia piscatória de Skarsa, a mais de 200 quilómetros a norte de Estocolmo, sedeado numa antiga fábrica de processamento de arenque, Soderstrom tenta defender a reputação da iguaria.

“A amargura com a salinidade juntamente com o pão, batata, manteiga e cebola é simplesmente fantástico”, diz a mulher de 51 anos fora do restaurante, vestida com o seu uniforme de cozinheira.

Os avós de Soderstrom viviam numa das casas de pescadores de madeira vermelha da aldeia, perto da água, e ela comia surströmming, traduzido literalmente como “arenque azedo”, desde criança. Na região do Báltico, os arenques são salgados após serem capturados e deixados a fermentar durante meses em barris antes de serem enlatados.

Malin Soderstrom Foto: AFP

O surströmming tem origem do norte da Suécia, onde é mais frequentemente consumido, mas as latas estão disponíveis na maioria dos grandes supermercados de toda a Suécia. Nos últimos anos, abriu um museu dedicado ao prato que divide opiniões e alguns restaurantes dedicam um dia inteiro a comê-lo para evitar ofender o nariz dos outros clientes.

Mas com a afluência de clientes em baixa devido à covid-19, Soderstrom e a sua irmã Anna cancelaram o seu próprio dia de surströmming este ano. Em vez disso, organizaram uma pequena demonstração de como o prato deve ser apreciado, convidando um mão cheia de amigos e colegas para provarem a iguaria.

Abrindo as latas longe das suas mesas, Soderstrom serviu-o aos visitantes em pão sueco liso juntamente com cebola vermelha picada, batata cozida, aneto, tomate, cebolinho, natas azedas e queijo curado.

Joseph Netzler Foto: AFP

Fazendo uma pausa na cozinha, o chef Joseph Netzler de 25 anos provou o peixe pela primeira vez, cheirando-o cautelosamente antes de o provar. “Cheira muito melhor do que eu pensava, e o sabor é bom. É um pouco forte, disse à AFP, sentado na varanda do restaurante, com vista para o pequeno porto da aldeia.

“Penso que já comi a minha dose para algum tempo”, explicou, acrescentando que talvez o experimentasse novamente dentro de “um ou dois anos”. Soderstrom ficou perplexo com os vídeos do YouTube de latas de estrangeiros a abrir latas de surströmming dentro de casa e a tentar comê-las inteiras sem acompanhamentos, muitas vezes com dificuldade em suportar o cheiro.

Num desses vídeos, um grupo de amigos nos EUA abriu a lata numa mesa dentro de casa, vomitando e asfixiando antes de conseguir experimentar o peixe. “O cheiro não se consegue ultrapassar, mas o sabor é apenas viscoso”, diz, no vídeo, um dos que tentou comer a iguaria sueca, com uma careta após mordiscar um pedaço do arenque sem acompanhamentos.

“Claro que eles julgam que é nojento”, disse Soderstrom com um sorriso. “Eu também pensaria isso se o tivesse tentado comer da mesma maneira”. “A refeição inteira é realmente importante. Com quem se come, onde se come e como se come. Eu quero manter isso vivo”, disse ela.

Por: Junim 10B

Fonte: AFP

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