Olhando três décadas para trás,  celebramos os álbuns que ainda hoje fazem a diferença na música

É fácil argumentar que não houve ano tão marcante para a música recente como 1991, simplesmente pela grande quantidade de acontecimentos relevantes ocorridos em um período tão curto.

Observando 30 anos atrás pelas lentes de hoje, parece incrível que aqueles 12 meses tenham gerado tantos álbuns importantes e resistentes ao tempo. Não foi apenas o rock de guitarras que ganhou um revigorante sopro de vida com Nevermind do Nirvana, liderando a onda alternativa de ruídos e lamentações vindas de cantos chuvosos dos EUA e Reino Unido. Ou o heavy metal, que se expandia para além de sua bolha de fãs cabeludos com o disco homônimo do Metallica, e em menor grau, com o Sepultura. Gigantes indestrutíveis da década anterior, Michael Jackson, Guns N’ Roses, U2 e Prince tentavam se adaptar à nova era, o mesmo ocorrendo no Brasil com o Titãs e o Legião Urbana. Já ousadias estéticas como as propostas por My Bloody Valentine e Massive Attack continuam celebradas até hoje.

1991 foi tudo ao mesmo tempo agora, e por essas e outras, é um ano que merece o olhar especial da Rolling Stone Brasil três décadas depois. Estes são 30 dos discos mais importantes de 1991, organizados por ordem de lançamento.

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Dinosaur Jr. – Green Mind

Green Mind talvez seja mais lembrado por sua icônica imagem de capa fotografada por Joseph Szabo, aquela da menina fumando na praia. Mas também foi a estreia do Dinosaur Jr. em uma grande gravadora, além de o primeiro sem a presença do membro-fundador Lou Barlow (o que significa que quase tudo no disco foi tocado pelo vocalista-guitarrista J. Mascis). Coincidência ou não, Green Mind foi o trabalho do Dinosaur Jr. que sinalizou uma verve mais pop e acessível, pavimentando o caminho para as beiradas do mainstream consolidado nos dois álbuns seguintes – também gravados solitariamente por Mascis.  Lançado em 19/2/1991

 


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R.E.M. – Out of Time

Após seis discos consistentes lançados em seis anos e o atestado de qualidade das exigentes rádios universitárias, o R.E.M. carregava um status confortável de banda queridinha no restrito circuito do rock alternativo. A intenção era chegar mais longe (ou talvez o plano original nem fosse tão ambicioso), mas Out of Time fez do R.E.M. uma unanimidade global, feito notável em se tratando do ano em que o Nirvana se preparava para derrubar Michael Jackson do olimpo do pop. E no caso do R.E.M., todo mérito é de “Losing My Religion”, provavelmente o único caso de canção movida a riff de bandolim a habitar os topos das paradas. Lançado em 12/3/1991


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Marisa Monte – Mais

Após uma reveladora estreia gravada ao vivo e lançada dois anos antes, o segundo disco de Marisa Monte (este sim, feito em estúdio) era aguardado com antecipação curiosa por público e a crítica. Mais confirmava a tendência da cantora em buscar referências na brasilidade musical de outras eras e regiões, enquanto exibia amplitude criativa nas parcerias com amigos titãs Nando Reis e Arnaldo Antunes. Com a onipresente “Beija Eu” e o dueto com Ed Motta em “Ainda Lembro” como carros-chefes, o álbum foi crucial para estabelecer os pilares do bem-sucedido “universo particular” no qual Marisa habita até hoje. Lançado em 13/3/1991

 

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Sepultura – Arise

O Sepultura ainda era mais conhecido no exterior do que no Brasil antes de Arise. Neste primeiro álbum gravado fora do país, o quarteto de Belo Horizonte prenunciava seu afastamento dos clichês que permeavam o thrash metal. Os vocais guturais de Max Cavalera e a velocidade supersônica dos riffs permaneciam afiados, mas lampejos de grooves e experimentos apontavam para intenções ousadas, atingidas com perfeição em Chaos A.D. (1993) e Roots (1996).  Os “jungle boys” despontavam como a promessa mais vibrante da música pesada da época, muito porque a energia apocalíptica de Arise escancarou o caminho. Lançado em 2/4/1991

 


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Massive Attack – Blue Lines

A estreia notável do grupo britânico de música eletrônica já soava à frente de seu tempo em 1991. Uma descompromissada mistura de gêneros e moods criou o primeiro grande álbum da década a definir o conceito da “ambiência cool” que imperou nas pistas nos anos seguintes. Blue Lines fundamentou o trip hop como o conhecemos, amarrando melodias dramáticas a batidas de hip hop com elementos de eletrônica e instrumentação orgânicas, numa mistura tão indescritível quanto envolvente. Se hoje o Massive Attack é cultuado como peça rara na música, é porque sua estreia ainda ecoa tão impactante quanto foi na época. Lançado em 8/4/1991


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Temple of the Dog – Temple of the Dog

Produzido um ano antes do estouro do grunge, o disco homônimo do supergrupo de Seattle é o resultado de uma tragédia: a morte por overdose de Andrew Wood, líder do Mother Love Bone. Homenageando o amigo, o cantor Chris Cornell escreveu músicas e convidou  conterrâneos para gravá-las – o baterista Matt Cameron, colega no Soundgarden, além do núcleo do que viria a se tornar o Pearl Jam, Mike McCready, Jeff Ament e Stone Gossard (os dois últimos, parceiros de Wood no MLB). Houve ainda um desconhecido chamado Eddie Vedder, fazendo backing vocals momentos antes de ocupar o lugar à frente do Pearl Jam. Apesar do contexto melancólico de sua concepção, o álbum envelheceu bem e ganhou novo sentido. Hoje, deve ser apreciado como um atestado do virtuosismo do também saudoso Cornell. Lançado em 16/4/1991

 

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Primus – Sailing the Seas of Cheese

O Primus sempre chamou a atenção pela extravagância estética (um trio de caras estranhos, capas enigmáticas, títulos bizarros), mas principalmente por sua música ser de impossível descrição. Também não é fácil apreciar a banda pelos motivos certos (a absurda qualidade dos músicos, por exemplo), mas por razões difíceis de explicar, a voz de cartoon de Les Claypool envolvida por riffs martelados de baixo de seis cordas soa como se fizesse sentido. Tiradas as estranhezas, Sailing the Seas of Cheese representa um Primus acessível como raramente se mostraria. A irresistível “Jerry Was a Race Car Driver” permanece um hit por sua presença no game Tony Hawk’s Pro Skater. Mesmo sem esse impulso, imagina-se que tal perfeição pop ganharia eternidade de qualquer forma. Lançado em 14/5/1991

 


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The Smashing Pumpkins – Gish

A estreia da banda de Billy Corgan não proporcionou hits memoráveis ou chegou perto do sucesso global dos dois discos seguintes, Siamese Dream (1993) e Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995). Mas todos os elementos essenciais que levariam o Smashing Pumpkins ao panteão do tal “rock alternativo” já aparecem expostos em Gish: as guitarras rasgadas e encharcadas de fuzz, a batida cheia de personalidade de Jimmy Chamberlin e as melodias suaves e perigosas de Corgan, que não raro precedem um solo gritado em fúria… até o próximo momento de calmaria. Lançado em 28/5/1991


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Mudhoney – Every Good Boy Deserves Fudge

Talvez o menos conhecido dos nomes de Seattle alavancados pela explosão do Nirvana, o Mudhoney foi o que mais lutou contra seu próprio sucesso: a atitude “anti pop” parecia extrema até se comparada ao desleixo com que Kurt Cobain tratava a fama. Mas se o Mudhoney não quis ser alçado aos dramas do estrelato como os vizinhos,  não foi porque as músicas pecavam em qualidade. Sem querer (querendo?), Every Good Boy Deserves Fudge revela uma banda com um ímpeto incontido de criar hits divertidos e sob medida para saudosos mosh pits encharcados de suor. Lançado em 26/7/1991

 


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Metallica – Metallica

O Metallica foi chamado de “vendido” pelos fãs antigos quando seu Álbum Preto alcançou o topo das paradas, mas a banda não reclamou, pelo contrário. O maior disco de metal de todos os tempos (pelo menos em vendas – mais de 25 milhões de cópias e contando) mostra músicos maduros em mares suaves já navegados, além de exalar uma franqueza que contribuiu na conquista de fãs em outros territórios musicais. Nenhuma faixa é rápida ou pesada demais para espantar novos seguidores, e a durabilidade de clássicos como “Enter Sandman”, “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters” denota um ápice em composição pop que jamais seria alcançado no gênero, nem pelo próprio Metallica. Lançado em 12/8/1991

 


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Blur – Leisure

A estreia em disco do Blur costuma ser renegada pelos seus próprios criadores, entre eles o frontman Damon Albarn. Apesar dos defeitos, Leisure traz em seus bons momentos as faíscas dançantes que o quarteto britânico refinaria até a perfeição anos mais tarde, experimentando o suficiente para se diferenciar das sonoridades de outros rivais do britpop (o Oasis que o diga). O clipe de “There’s No Other Way” e sua representação surrealista de um almoço inglês em família deve ter habitado muitos pesadelos juvenis daquela época. Lançado em 26/8/1991

 

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Pearl Jam – Ten

Enquanto o Nirvana provava que era possível dominar e ao mesmo tempo destruir o mundo, o Pearl Jam, mais conciliador (mas não menos indignado), parecia prometer uma antecipada reconstrução. Para isso, nenhum cartão de visitas teria sido melhor do que Ten, um álbum de estreia dos sonhos para qualquer banda baseada em guitarras e melodias, ainda mais em um ano tão saturado de ruídos e dissonâncias como foi 1991. “Alive”, “Even Flow”, “Jeremy” e “Black” permanecem como os hinos de uma geração que parece ter perdido as esperanças, mas guarda com carinho o espírito de bons tempos que não voltam mais. Lançado em 27/8/1991

 


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Guns N’ Roses – Use Your Illusion I & Use Your Illusion II

A maior banda de rock da segunda metade dos anos 1980 estava determinada a dominar também a década seguinte. Para isso, as armas do Guns N’ Roses foram pesadas, para dizer o mínimo: dois álbuns duplos lançados no mesmo dia, totalizando 30 canções, metade delas épicos de mais de 5 minutos. A estratégia megalomaníaca funcionou para vender discos (mais de 35 milhões de cópias) e estabelecer clássicos (“November Rain”, “Don’t Cry”, “Estranged” “You Could Be Mine”), mas é inegável que o processo de desintegração da banda de Axl Rose começou a partir daí. Lançados em 17/9/1991


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Ozzy Osbourne – No More Tears

Parecia que Ozzy Osbourne não tinha mais lenha para queimar ao lançar No More Tears no mesmo dia em que o Guns N’ Roses colocou dois álbuns nas lojas. Amparado por um Zakk Wylde solto e inspirado na guitarra e a contribuição do eterno motörhead Lemmy Kilmister em algumas letras, Ozzy ressurgiu renovado e alinhado ao momento musical da época, ressignificando sua imagem de lenda viva desgastada após uma década de excessos. De volta ao mainstream do rock, é como se o Príncipe das Trevas estivesse satisfeito e confortável, finalmente no lugar em que merecia. Lançado em 17/9/1991

 


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Hole – Pretty on the Inside

Se o Hole permaneceu em evidência em relação a outras bandas femininas surgidas na virada da década, é porque era a única a trazer Courtney Love como líder e letrista. Ser mais lembrada como “a viúva de Kurt Cobain” não faz justiça à qualidade da música que sua banda produziu em três  álbuns nos anos 1990. A poesia de Courtney se equipara à persona pública com a qual é normalmente reconhecida: crua, dolorida e sincera. Os melhores momentos do Hole estariam por vir, mas as sementes foram plantadas em Pretty on the InsideLançado em 17/9/1991 

 


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Primal Scream – Screamadelica

O Primal Scream mudou sua sonoridade calcada no rock de guitarras, tirando das raves a inspiração para Screamadelica, o perfeito disco para roqueiros não terem vergonha de dançar até o cansaço. Seus longos épicos viajandões com camadas de instrumentos, coros gospel e percussões soam como se os Rolling Stones viajassem no tempo dos anos 1970 até os 90, mas ao melhor estilo Benjamin Button, ressurgissem mais jovens e experimentadores. Pode soar datado em uma audição desatenta, mas experimente tocá-lo para uma pista de dança veterana para ver se não funciona. Lançado em 23/9/1991


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Pixies – Trompe Le Monde

Talvez a banda que mais inspirou o Nirvana (Kurt Cobain que o diga), o Pixies definitivamente não vivia seu melhor momento interno em 1991. O quarto disco, Trompe Le Monde, tinha potencial para ser considerado o melhor de uma carreira curta e incendiária, mas por mais de uma década acabou sendo lembrado apenas como “o último” – o que só mudou quando a banda lançou o esquecível Indie Cindy em 2015, após longo hiato e sem Kim Deal no baixo. Trompe Le Monde já merecia um carinho maior por ser o último registro em estúdio do Pixies clássico, mas mais do que isso, é a confirmação do auge técnico da banda que definiu a sonoridade dos anos 1990 bem antes de a década começar. Lançado em 23/9/1991

 


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Titãs – Tudo Ao Mesmo Tempo Agora

O álbum mais polêmico da banda paulistana representa também o fim de uma era: Tudo Ao Mesmo Tempo Agora foi o último da chamada “formação clássica” do octeto (o vocalista Arnaldo Antunes deixou a banda logo em seguida). “Clitóris”, “Saia de Mim” e “Isso Para Mim é Perfume” mostram uma crueza escatológica do qual o Titãs não se aproximaria tanto mais no futuro, mas também representam a busca inconsciente por uma sonoridade e estética bem alinhadas com o que era produzido no rock fora do país. Lançado em 23/9/1991


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Nirvana – Nevermind

“Melhor, importante, genial, influente, revolucionário”: dificilmente o nome Nevermind não vem acompanhado de um desses adjetivos, ou de todos ao mesmo tempo. Em pleno 2021, ninguém discorda de que o segundo álbum do Nirvana seja tudo isso e mais um pouco, mesmo que a crítica especializada não tenha chegado perto de tal conclusão quando foi lançado. Nós, o público, fomos atraídos magneticamente pelo “disco do bebê nadando pelado”, a cada momento descobrindo novas pérolas nas profundezas daquelas águas azuis. “Smells Like Teen Spirit” fez boa parte do trabalho, mas havia muito mais em Nevermind do que qualquer um estava preparado no não tão longínquo 1991. A atual beatificação de Kurt Cobain (e do Nirvana) e a consideração de Nevermind como o grande acontecimento musical daquela geração diz muito sobre como vemos o passado recente: antigamente, a qualidade pura e sincera das canções era o que nos bastava. Éramos felizes e sabíamos. Lançado em 24/9/1991

 

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Soundgarden – Badmotorfinger

A mais pesada das bandas do movimento de Seattle cometeu seu álbum definitivo em 1991, mesmo que não tenha sido o mais vendido ou ouvido. Os riffs de metal encharcam a raiva incontida nos gritos de anjo de Chris Cornell (de morar em um lugar que chove o tempo todo, talvez?), com sucessos potentes e melódicos como “Rusty Cage”, “Outshined” e “Jesus Christ Pose”. Com essas e outras, o Soundgarden se deu ao luxo de não permitir comparações com bandas de sonoridade mais mansa vindas da mesma região. Naturalmente, o próprio Soundgarden ficou mais manso com o passar dos anos e mais gente teve contato com o talento de Cornell, pelo Audioslave e outros projetos que tiveram a sorte de ter sua voz. Lançado em 24/9/1991

 


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Red Hot Chili Peppers – Blood Sugar Sex Magik

O RHCP já era um veterano com quatro discos nas costas e muitos dramas em 1991, mas foi Blood Sugar Sex Magik o fator responsável por arremessar a banda californiana aos holofotes do mainstream… para nunca mais sair. A produção cristalina de Rick Rubin e a onipresença da MTV na época ajudaram um tanto, mas é a durabilidade dos hits que dá ao álbum sua bizarra aura de eternidade, como se “Under the Bridge”, “Give it Away” e “Suck My Kiss” tivessem sido lançadas no último verão, e não há trinta anos. E os clipes são ótimos. Lançado em 24/9/1991


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A Tribe Called Quest – The Low End Theory

O segundo álbum do A Tribe Called Quest trouxe uma então pouco explorada mistura de hip hop e jazz que o gênero precisava, não por coincidência, alinhado perfeitamente ao mood boa-praça do hoje extinto quarteto nova-iorquino (o rapper Phife Dawg morreu em 2016). A linha grave do lendário baixista de jazz Ron Carter em “Verses From the Abstract” é uma das pérolas de The Low End Theory, uma instigante e relaxada experiência de contestação, irresistível para a época e que ainda agora soa ótimo. Lançado em 24/9/1991

 

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Prince – Diamonds & Pearls

Prince fazia o que bem entendesse em seus discos, e Diamonds & Pearls é a mais plena exibição da falta de compromisso com as expectativas ao seu redor, além de confirmar que não havia tema proibido a ser abordado nas canções (a ambientação erótica de “Gett Off” e “Cream” é chocante ainda hoje). No último álbum antes de mudar seu nome para um símbolo ilegível, o artista então conhecido como Prince realizou o que soube fazer de melhor: ousar, arriscar e sair da zona de conforto, criando sucessos que nos fazem dançar até hoje. Lançado em 1/10/1991

 


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My Bloody Valentine – Loveless

Ouvidos desatentos podem perceber Loveless como um disco instrumental de noise lançado ontem por uma banda qualquer. Mas há algo mágico nas camadas de ruídos impossíveis arquitetadas pelo guitarrista Kevin Shields, o maestro-gênio do My Bloody Valentine. A zoeira orquestrada e hipnotizante emociona e gera a atmosfera ideal para a incompreensível pureza do canto de Bilinda Butcher. Cultuado e ousado ainda hoje, Loveless é a obra-prima de uma banda que inspirou incontáveis outras a descobrirem a beleza melódica na feiura do barulho. Lançado em 4/11/1991


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Teenage Fanclub – Bandwagonesque

As guitarras do Teenage Fanclub são sujas, mas a doçura das melodias e coros afinados não conectou esteticamente a banda escocesa à reverberação deprimida que ocorria ao mesmo tempo na Costa Oeste dos EUA. Em seu mundo particular de acordes abertos rasgados, declarações de amor puras e versos cantados a dois ou três, o quarteto cometeu em Bandwagonesque seu trabalho mais memorável. Se os ganchos irresistíveis de power pop exalam frescor após 30 anos, talvez seja por carregarem a pureza ingênua que hoje faz falta no rock. Lançado em 4/11/1991

 

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Caetano Veloso – Circuladô

Alguma coisa estava fora da ordem mundial na entrada dos anos 1990, e Caetano Veloso sabia disso. Prestes a completar 50 anos, o camaleão da MPB ousou nas cores e referências em um de seus trabalhos mais cerebrais e interessantes. Reunindo poesia (a letra de “Circuladô de Fulô” é adaptada dos versos do concretista Haroldo de Campos), ritmos brasileiros e ruídos analógicos e eletrônicos, Circuladô nos reapresentou a um artista veterano ainda criativo e sem medo de errar. Três décadas depois, Caetano continua se reinventando. Lançado em 11/1991 

 


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U2 – Achtung Baby

Poucas bandas grandes se permitiram uma transformação tão transgressora como a do U2 na virada da década de 1980 para 90. Cansados da aura quase messiânica esculpida por hinos sóciopolíticos fáceis de cantar junto, o quarteto irlandês ofereceu em Achtung Baby quase o oposto: um manifesto musical introspectivo e sincero, ainda que carregado de ironia e sem abandonar sua típica eloquência grandiosa. Não por acaso, mais da metade das músicas do álbum são hits entre os fãs e presenças garantidas nos shows ainda megalomaníacos. O U2 já era o maior, e com Achtung Baby, continuava a não enxergar nada à frente. Lançado em 19/11/1991


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Michael Jackson – Dangerous

Chega a ser injusto que Dangerous seja lembrado por ter perdido o topo da parada norte-americana para um então desconhecido Nevermind  – o que é de fato histórico e digno de ser relembrado. Musicalmente, o oitavo álbum solo de Michael Jackson mereceu por si só a atenção que recebeu, ainda que com a obrigatória contribuição de diversos clipes de apelo popular. Na época, ninguém ousou prever que seria o último trabalho notável do “Rei do Pop” antes do declínio (documentado exageradamente, por sinal). Justiça seja feita, Dangerous conserva hoje o valor artístico de quando foi lançado. Lançado em 26/11/1991

 

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Legião Urbana – V

Após quatro álbuns repletos de hits radiofônicos, sinceros e duradouros, V representou uma guinada brusca para o Legião Urbana, introspectivo e filosófico como nunca. Com canções longas (“Metal Contra as Nuvens” tem mais de 11 minutos), instrumentais densos e um ou outro refrão para embalar rodas de violão, V foi o mais próximo de um álbum progressivo que a banda de Brasília foi capaz de realizar. Renato Russo declarou que o disco é “lento de propósito”, para representar o tédio do momento, mas a verdade escondida era nada benigna: o cantor havia sido diagnosticado com aids um ano antes. Lançado em 15/12/1991 

 

Fonte: RollingStone

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