Estúdio não confirma quantos assinantes pagaram a mais para assistir novo filme da Marvel Studios em seu primeiro final de semana

Depois de muitas idas e vindas pela pandemia, a Disney e a Marvel Studios enfim lançaram “Viúva-Negra” na última semana, dentro do formato híbrido que além dos cinemas inclui ainda o Premier Access do Disney+. E com a vacinação em estágio avançado em pontos chave do mercado global, a aventura solo da personagem vivida por Scarlett Johansson conseguiu repetir as façanhas financeiras de seus antecessores, registrando US$ 158 milhões nas telonas ao redor do mundo.

Mais interessante que os números altos do longa no circuito, porém, é que a Disney também aproveitou a ocasião no último domingo (11) para divulgar pela primeira vez um número relacionado aos desempenhos da locação premium de seu principal serviço de streaming. De acordo com a companhia, além de US$ 80 milhões nos Estados Unidos e US$ 78 milhões no resto do globo, “Viúva-Negra” ainda fez US$ 60 milhões em seus primeiros 3 dias dentro do Disney+, onde pode ser assistido por 48 horas depois de um pagamento adicional – no Brasil o valor é de R$ 69,90, nos EUA US$ 29,99.

O número sem dúvida é alto – até porque 80% do valor fica para o estúdio – mas desperta mais questões do que parece. Enquanto o valor não é confirmado por terceiros (ou seja, é fornecido apenas pelo estúdio) e um repórter do Deadline escreve que a divulgação ocorre sobretudo por pressão de agentes de atores (que buscam números para melhorar sua posição de negociação para futuros projetos), a revelação parece ocorrer sobretudo como forma da Disney em exaltar que o filme passou a marca de US$ 200 milhões na arrecadação, uma soma que atende expectativas pré-pandemia mesmo sem a estreia na China e soa bem melhor em relação aos meros US$ 80 milhões arrecadados nos EUA – o que em si já um número alto, dado que “Viúva-Negra” agora é maior estreia no país desde “Star Wars: A Ascensão Skywalker”.

A própria maneira como a Disney compartilhou os resultados à imprensa dá o tom dessa manobra, com o release priorizando o total de US$ 215 milhões pela agremiação dos números sob o tal “consumer spend” – gasto do consumidor, em bom português.

Mais importante que isso, porém, é que o número do Premier Access é mais chamativo do que informacional. A Disney apenas confirma que “Viúva-Negra” somou o valor em pagamentos adicionais à plataforma ao redor do mundo, mas daí em diante não dá para saber quantas contas desembolsaram o dinheiro na “locação premium” (até porque a cobrança varia de região para região), a distribuição deste público ao redor do planeta ou se o lançamento do filme gerou novas assinaturas para a plataforma. E se a última questão pode ou não ser respondida na próxima reunião dos acionistas do conglomerado, as duas primeiras devem permanecer como grandes pontos de interrogação importantes.

Além disso, o anúncio deixa outros lançamentos do estúdio no Premier Access em uma situação bem desconfortável, dado que “Viúva-Negra” é o primeiro filme com distribuição híbrida da companhia a ter números revelados. Os resultados de “Mulan”, “Raya e o Último Dragão” e “Cruella” na locação agora ganham um viés negativo por não terem qualquer relatório anunciado pela plataforma, e sua comparação é crucial para entender o alcance efetivo das produções da Marvel Studios no formato.

A dúvida do momento é saber se a Disney pretende ou não repetir essa estratégia de divulgação de dados para os próximos lançamentos no Premier Access, uma resposta que já deve ser respondida no próximo dia 30 de julho com a estreia de “Jungle Cruise” na plataforma. Até lá, o anúncio da vez do Disney+ repete as bravatas vazias que se tornaram uma constante no mercado de streaming quando para celebrar bons resultados.

Fonte: B9

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