A safra de maioria inédita vai dialogar com o tema “O cinema do futuro e o futuro do cinema”, proposto pela curadoria formada pelo cineasta Sílvio Tendler e pela professora da UnB Tânia Montoro. Nasce com a proposta de refletir sobre a produção nacional depois de quase dois anos de pandemia.

“O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro sempre, em sua natureza, foi um espaço para o diálogo com o que está por vir. Daqui, nasceram linguagens, estéticas e debates políticos que construíram a identidade do novo cinema brasileiro. Essa edição nasce histórica porque vai pautar esse mundo pós-pandemia. Nada será como antes, e essas tendências serão examinadas nos dias de festival”, aponta o secretário Bartolomeu Rodrigues.

A curadoria acredita que a edição de 2021 tem potência ampliada de debates. Silvio Tendler comemora o número de ficções, mostrando um novo fôlego para o cinema nacional.

“No ano passado, os documentários colocaram a edição em pé e foi uma vitória (620 mil espectadores). Nesse ano, temos essa reflexão ampliada. Vamos discutir temas como cinemas em tempos remotos, linguagem híbrida e relação com plataformas”, conta Silvio Tendler.

“Não tem coisa mais futurista do que revisitar a memória e essa edição fará esses passeios. Teremos uma homenagem a Tânia Quaresma, que foi uma cineasta de discussões planetárias, e a celebração à trajetória de Lauro Montana, nosso ator brasiliense detentor do Kikito”, completa Tânia Montoro.

Realizada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec) em parceria com a Associação Amigos do Futuro, a 54ª edição do mais longevo festival de cinema do Brasil será realizada, em formato virtual entre os dias 7 e 14 de dezembro, com os longas da mostra nacional competitiva, às 23h30, no Canal Brasil. As mostras de Curta e toda a programação da Brasília estarão na plataforma InnSaei.TV.

“Nossa preocupação nessa edição foi ampliar o acesso do público a toda a programação de forma democrática. Assim, cada espectador vai ter 24 horas para assistir às produções”, destaca a diretora executiva e subsecretária de Economia Criativa, Érica Lewis.

COMO ASSISTIR

O público assiste a todos os filmes do FBCB gratuitamente na plataforma InnSaei.TV e também confere os longas da Mostra Competitiva Nacional no Canal Brasil, às 23h30. Logo na sequência, à 1h30, o mesmo longa estreia na plataforma InnSaei.TV, ficando disp11onível até às 23h29 do mesmo dia.

Os curtas da Mostra Competitiva, bem como os filmes da Mostra Brasília e mostras paralelas estarão disponíveis exclusivamente pela plataforma InnSaei.TV (horários a consultar no site do festival). Vale ressaltar que as votações do Júri Popular estarão disponíveis exclusivamente na plataforma InnSaei.TV. O campo de votação aparece como pop-up logo após a exibição do filme na íntegra. Visite a programação no site do Festival para ter acesso a exibição de todos os filmes.

HOMENAGENS

Nessa edição, o Festival de Brasília oferece um Candango especial pelo reconhecimento da obra de Léa Garcia, atriz carioca fundamental para o teatro e cinema brasileiros, em seus 88 anos de idade e 70 de carreira. O FBCB também homenageia a memória da professora Lucília Marquez e dos atores Lauro Montana, Luiz Gustavo, Tarcísio Meira, Paulo José e Paulo Gustavo.

A SELEÇÂO

Dentre os 985 filmes inscritos, foram selecionados seis longas e 12 curtas para pleitear os cobiçados Candangos na Mostra Competitiva Nacional, além de quatro curtas e oito longas para concorrerem na Mostra Brasília. A comissão de seleção dos longas nacionais foi composta por Lino Meireles, Luiz Carlos Merten, Sandra Kogut, Nicole Puzzi e Pedro Caribé. Já os curtas nacionais foram selecionados por Adriana Vasconcelos, André Luís da Cunha, Flávia Barbalho, Paula Sacchetta e Paulinho Sacramento. A Mostra Brasília contou com Flavia Guerra, Maíra Carvalho e Marcelo Emanuel dos Santos na comissão de seleção.

OS FILMES

A seleção de longas da Mostra Competitiva traz quatro ficções e dois documentários da Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Alice dos Anjos (BA), de Daniel Leite Almeida, leva as fantasias de “Alice no país das maravilhas” à paisagem do sertão baiano; Lavra (MG), de Lucas Bambozzi, expõe as feridas da devastação ambiental percorrendo os caminhos da lama tóxica e criminosa que devasta cidades inteiras; Acaso (DF), de Luis Jungmann Girafa, traz o estilo on the road à famosa via W3 de Brasília, celebrando a casualidade das grandes cidades.

“Foram 151 filmes inscritos para escolhermos seis. Testemunhamos todos esses sonhos do fazer e viver cinema nessa amostragem”, comentou Lino Meireles, da Comissão de Seleção de longas da Mostra Nacional.

Ela e eu (SP), de Gustavo Rosa de Moura, fala sobre a adaptabilidade do ser humano a eventos inesperados, tendo Andrea Beltrão como protagonista; De onde viemos, para onde vamos (GO), de Rochane Torres, registra tradição e modernidade no dia-a-dia do povo indígena Iny; e Saudade do Futuro (RJ), de Anna Azevedo, é uma ode à saudade – palavra tão característica da língua portuguesa – filmada entre Brasil, Cabo Verde e Portugal.

Entre os curtas nacionais, figuram cinco obras de São Paulo, dois do Distrito Federal, sendo as demais produções da Paraíba, Amazonas, Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco, sendo nove ficções e três documentários. Ocupagem (SP), de Joel Pizzini, retrata o encontro do escritor Julián Funks com as líderes do movimento sem-teto Carmem Silva e Preta Ferreira; Terra Nova (AM), é uma ficção sobre uma atriz de teatro solicitando seu auxílio emergencial; Filhos da Periferia (DF), de Arthur Gonzaga, debate juventude e violência em contextos periféricos.

Chão de Fábrica (SP), de Nika Kopko, é uma produção 100% feminina que retrata o cotidiano de quatro operárias em seu convívio no banheiro feminino; Deus me Livre (PR), de Carlos Henrique de Oliveira e Luis Ansorena, retrata a dura vida de coveiros no cemitério Vila Formosa – que mais enterrou vítimas de Covid-19 no Brasil; Adão, Eva e o Fruto Proibido (PB), de R.B. Lima marca o reencontro de uma mulher trans e seu filho adolescente, separados no nascimento.

Como respirar fora d’água (SP), de Júlia Fávero e Victoria Negreiros, reflete sobre conflitos no convívio de uma jovem negra e lésbica com a polícia militar, dentro e fora de casa; Cantareira (SP), de Rodrigo Ribeyro, expõe os paradoxos da metrópole e natureza; Sayonara (SP), de Chris Tex, trata de traumas violentos e vingança; Era uma vez… Uma princesa (DF), de Lisiane Cohen, sai em busca de sentidos diante da ausência de vida numa relação familiar; e Da boca da noite à barra do dia (PE), de Tiago Delácio, documenta a tradição do cavalo marinho na Zona da Mata Pernambucana.

“Nossa missão cinematográfica foi avaliar 743 curtas e escolher 12. Encontramos trabalhos fortes sobre desigualdade e dessa experiência da Covid-19”, revela Flávia Guerra, da Comissão de Seleção.

VIGOR DA MOSTRA BRASÍLIA

Os títulos da Mostra Brasília revelam uma produção local incessante, com jovens e veteranos realizadores concorrendo. Na abertura da Mostra – e em homenagem a Tânia Quaresma, cineasta que nos deixou em julho deste ano – o público assiste a Caçadores de História (2016), documentário que retrata a realidade das catadoras e catadores de materiais recicláveis do Brasil. Entre os longas selecionados para a mostra local, estão: o documentário Mestre de Cena, de João Inácio; e as ficções: Acaso, de Luis Jungmann Girafa (selecionado também para a mostra nacional); Noctiluzes, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório; e Advento de Maria, de Vinícius Machado.

Entre os curtas que competem na Mostra Brasília estão quatro ficções e quatro documentários, sendo eles: Tempo de Derruba, de Gabriela Daldegan; Tinhosa, de Rafael Cardim Bernardes; Filhos da Periferia, de Arthur Gonzaga (selecionado também para a mostra nacional); Cavalo Marinho, de Gustavo Serrate; Benevolentes, de Thiago Nunes; Ele tem saudade, de João Campos; A Casa do Caminho, de Renan Montenegro; e Vírus, de Larissa Mauro e Joy Ballard.

“Foram 74 curtas e 17 longas. Buscamos escolher filmes que dialogassem com as premissas do Festival de Cinema como representatividade, justiça social, novas linguagens”, frisa Marcelo Santos.

Fonte: Aquitemdiversao

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