Síndrome de Borderline, o transtorno é muito comum na área da saúde mental, segundo o especialista em psiquiatria pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), Fauze Sadalah Fakhouri.

Impulsividade, baixa tolerância à frustração e instabilidade emocional bastante intensa são os sintomas mais característicos do transtorno, elenca Fakhouri. “São pessoas bem difíceis de lidar”, afirma. Outro sinal da síndrome é a automutilação, em uma tentativa do paciente em aliviar a dor emocional por meio da dor física autoprovocada.

A psicoterapia é o principal tratamento para a síndrome, podendo ser necessário o uso de medicamentos para amenizar alguns sintomas. O médico reforça a importância do acompanhamento psicológico para êxito do tratamento. “Se ele não estiver fazendo um tratamento psicológico conjunto, a chance de sucesso é menor.”

Se inicia, principalmente, no fim da adolescência e início da idade adulta, com diagnóstico da TPL (transtorno de personalidade limítrofe) em geral, a partir dos 18 anos. Fakhouri, no entanto, lembra que é normal o adolescente apresentar características “não tão legais” devido à fase de formação da personalidade. Agora, quando o paciente apresenta essas características de forma disfuncional, que prejudique a vida dele no ambiente social, familiar e acadêmico, é preciso prestar mais atenção. A doença, assim como seu diagnósticosintomas e tratamento, são pouco conhecidos pelo público.

Quais os sintomas de Borderline?

Leila Salomão Tardivo, professora de psicologia clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) comenta que o transtorno é classificado como uma “neurose polissintomática”, o que significa que a doença se manifesta diversos sintomas diferentes, o que ela chama de “grande extensão”, e nem todos estarão presentes em todas as pessoas diagnosticadas.

Alguns sintomas do Transtorno Borderline podem até levar a diagnósticos errados, baseados apenas em um sintoma e não no quadro geral do paciente. É comum que ele seja diagnosticado com depressão, ansiedade ou bipolaridade, quando na verdade os elementos que geraram essa conclusão são manifestações do transtorno.

Uma confusão comum é associar o Transtorno Borderline ao Transtorno Bipolar. A diferença entre os dois é explicada pela professora: “A bipolaridade alterna momentos de depressão e de mania, ou agitação. Isso pode ocorrer com quem tem Borderline, mas não é o que o caracteriza”.

O principal sinal de que uma pessoa pode ter o transtorno é a dificuldade em estabelecer relações com o entorno e de formar uma identidade e personalidade próprias. Essas questões geram efeitos psicológicos, que por sua vez se manifestam em sintomas semelhantes ao de ansiedade, depressão e agressividade, além de fobias, obsessões e alternâncias rápidas de humor.

Em geral, os tipos de Borderline são divididos em graus. Quanto mais leve, mais fácil é o controle dos sintomas, mas quanto mais elevado, mais intensos os sintomas são. Nesses casos, o paciente pode ter comportamentos muito agressivos, autodestrutivos e até desenvolver vícios, como em substâncias químicas.

Como identificar uma pessoa com Transtorno Borderline?

Como é o caso de outros transtornos de personalidade e doenças mentais, o diagnóstico deve ser feito sempre por um profissional, geralmente um psiquiatra. Havendo a suspeita do transtorno, o profissional deverá analisar os sintomas e as experiências do paciente.

Nesses casos, o grande perigo é que o paciente seja diagnosticado com uma das manifestações da doença, e não com o transtorno, que é a verdadeira causa. Entretanto, o transtorno já é conhecido pela ciência desde os anos 1940, o que diminui as chances de erro de diagnóstico.

Leila Salomão destaca que quanto mais cedo o transtorno é identificado, melhor. “Pensando até em adolescência, reconhecendo mais jovem fica mais fácil lidar”, explica ela. Os serviços de atendimento psicológico estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), nos chamados Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Quais as causas do Transtorno Borderline?

Como outros transtornos mentais, existem diversos fatores que podem levar ao desenvolvimento do Transtorno Borderline. A professora observa, porém, que nos últimos anos tem ocorrido um aumento do número de diagnósticos da doença.

Segundo ela, o aumento dos diagnósticos está ligado não apenas à busca maior de pessoas por atenção profissional, mas também a alguns fatores sociais: “Aumento do estresse, competição intensa entre as pessoas, mais violência e uma falta de valores, base”.

Existe tratamento para o Transtorno Borderline?

A professora explica que não há cura para o transtorno, mas que é possível controlá-lo. Esse controle envolve tanto a participação de um psiquiatra quanto de um psicólogo. Segundo ela, o psiquiatra receita medicamentos que controlam os sintomas exibidos pelo paciente, como ansiedade, enquanto o psicólogo realiza sessões de terapia para trabalhar com as causas do transtorno.

“O controle é mais fácil para quadros mais brandos, diagnosticadas mais precocemente. Falta uma coesão na identidade, a chamada identidade difusa, isso tem como controlar com um psicólogo”, explica.

Ela também destaca que é necessário, durante o tratamento, haver um apoio das pessoas do em torno do paciente: “O tratamento envolve integrar a personalidade, ajudar a pessoa a ser ela mesma, separada dos outros, e não se desesperar. Também envolve terapia familiar, ter um apoio”.

O que fazer em casos de crise de Borderline?

As chamadas “crises” de quem possui o transtorno podem se manifestar de diversos jeitos, mas em geral envolve variações rápidos de humor, e também episódios violentos, com intensidade variante.

A psicóloga observa que ambientes estressantes podem “facilitar as crises”, inclusive em cenários de “competição exacerbada” e convivência com outras pessoas agressivas. Em caso de crise, ela acha importante que os outros “não se desesperem”.

“Tem que procurar acalmar, mostrar presença, não julgar, criticar, e procurar ajudar. O ideal é dar presença, dar afeto, segurança”, comenta. Para isso, Leila considera ser importante que as pessoas do círculo social do paciente não tenham preconceitos.

“Existem preconceitos, estigmas, a própria pessoa se estigmatiza. Não se pode validar a violência, se a manifestação for essa, mas qualquer transtorno de personalidade tem que ser reconhecido pela pessoa e quem está ao redor, e ela não pode ser julgada pelo entorno”, observa a professora.

Por: Junim 10B

Fontes: Estadão e Jornal da Manhã

Foto destaque: Instituto Inclusão Brasil

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