Marcella relatou que seu professor a humilhou diante de todos os alunos da sala, dizendo que deveria entreter o filho de outras formas e começar a priorizar a universidade.

A amamentação infantil ainda é considerada um tabu em nossa sociedade. Algumas pessoas se sentem tão incomodadas com o fato de um bebê precisar se alimentar de leite materno, que buscam constranger as mães, pedindo que elas não o façam em público, ou que se cubram, para que não incomodem outros adultos, que podem não gostar.

A situação não é fácil, e uma estudante universitária passou por algo parecido na Califórnia (EUA). Mãe de um bebê de 10 meses, na época em que tudo aconteceu, Marcella Mares recebeu um e-mail de seu professor do Fresno City College, comunicando nova regra para ganhar presença nas aulas a distância.
No documento, o docente avisava que os alunos precisavam manter as câmeras e os microfones ligados, para que fosse considerado que participaram do dia.

Imagem reprodução Instagram/ @cellapage_

Marcella logo respondeu ao e-mail, dizendo que manteria o equipamento ligado, mas em alguns momentos precisaria desligá-lo apenas para amamentar sua filha de 10 meses.
Tendo de conciliar um curso superior com a maternidade, Marcella acreditou que seria compreendida pelo docente, mas não foi o que aconteceu. Ele lhe respondeu de forma inesperada, dizendo que ficava feliz por ela deixar a câmera e o microfone ligados, mas pediu que não alimentasse sua filha durante as aulas, porque não era isso que deveria fazer. Bastava esperar que elas acabassem para então amamentar a pequena.

Marcella revelou que aquela resposta a deixou completamente chateada e em choque. Aquela sensação de que não poderia decidir o que fazer com a própria filha, na própria casa, irritou-a. No mesmo dia, durante a aula com o docente, ele fez questão de dizer a todos os alunos que havia recebido um e-mail muito “estranho”.
Como se não bastasse o tratamento recebido, Marcella revela que o professor a humilhou na frente de seus colegas, dizendo que determinada aluna queria fazer coisas “inadequadas” durante a aula.

Em comovente publicação em sua página pessoal do Instagram, a mãe relatou sua insatisfação com o processo todo. O professor ainda pediu que ela fosse “criativa” com a filha e tentasse colocar as “distrações de lado”. Em tom de denúncia, Marcella explica que não se trata de um objeto, e sim de uma criança.

Por fim, a jovem relatou que conseguiu entrar em contato com pessoas que conheciam o professor, após ajuda de sua prima, e afirma que ele deve pensar duas vezes antes de humilhar novamente uma lactente.
Para ela, as mães que amamentam e buscam conciliar isso com estudo, trabalho e educação infantil devem ser elogiadas, e não menosprezadas.

Segundo reportagem da CNN, após o incidente, o professor mandou um e-mail para Marcella se desculpando e dizendo que ela poderia amamentar sua filha a qualquer momento, bem como desligar a câmera sempre que quisesse.
As leis da Califórnia exigem que as instituições educacionais acomodem os alunos em casos de gravidez e parto, incluindo a lactação. Por isso, não existe nenhum tipo de penalidade acadêmica para mães e pais que precisam se ausentar para alimentar seus bebês.

A amamentação no Brasil

Há bem pouco tempo foram denunciados casos de mães que foram hostilizadas em locais públicos amamentando seus bebês. O mais absurdo por mulheres também.
Em 2018 foi publicado o DC pela Sociedade Brasileira de Pediatria com o título Amamentação e Sexualidade.

“ALIMENTO DO BEBE – Para eles, o principal elemento que se torna um imbróglio no aleitamento materno é o fato de que o seio que produz o alimento do bebê também ocupa um importante papel na sexualidade adulta, por seu caráter de zona erógena que participa ativamente dos jogos eróticos de um casal.”
Além disso, o documento aborda a questão do seio no universo mental masculino e da relação do casal diante do período de amamentação. De acordo com o DCAM-SBP, a dicotomia do seio ante a paternidade implica novos arranjos mentais que permitam que ele abra mão do seio erótico em favor da alimentação de seu filho ou filha, sem que com isso se perca o aspecto de sensualidade que vinha representando, para que se conserve o casal amoroso e não apenas o casal parental.
A malícia está no olhar de quem vê e critica por algo reprimido e mal resolvido em sua vida sexual, pois mal sabem o quanto a amamentação para muitas mulheres é dolorosa, seios empedrados, as auréolas rachadas, para outras mães que se sentem frustradas por não conseguir dar o leite humano para o sua cria, visto que mães que adotam crianças e por um desejo e instinto algumas produzem o “alimento” o leite, chamado de líquido dourado, alusão ao ouro.
Aos poucos mas bem mais perto do que há 10 anos, as pessoas irão entender que a sexualidade é uma energia vital que norteia todas as relações humanas, psicossociais, educacionais, financeiras e etc. (Katia Arruda)

Em 2019 – O artigo 1 da PL 1654/2019 assegura o direito: “É garantido o direito de lactantes e lactentes à amamentação em locais públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo”. O parágrafo 1 do artigo prevê que a amamentação nos estabelecimentos é garantida, mesmo que o local conte com espaços destinados a este fim.

Fonte : osegredo.com.br
Por: Kátia Arruda

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