Artigo/Opnião

Por Luciano Lima

A convivência harmônica entre pais e filhos em um mundo globalizado e com as distâncias encurtadas pelo avanço da tecnologia, principalmente da internet, é um dos grandes desafios da família dos dias atuais.

Entendo que o papel da família, mesmo com os avanços de uma sociedade moderna, não mudou. As drogas, a violência, o “TER” subjugando o “SER” e o comportamento de manada com regras ditadas pela internet, considerada “terra de ninguém”, são os grandes inimigos daqueles que não encontram (ou não querem encontrar) no diálogo uma arma poderosa contra a desestruturação do ambiente familiar.

Antes achávamos que os grupos de amigos eram capazes de despersonalizar o adolescente. A necessidade de aceitação no meio social e a sensação de pertencimento a um determinado grupo levavam os jovens a agirem dessa forma. Os mundos das famílias e dos amigos estavam muito distantes. Éramos felizes e não sabíamos! E, agora? A internet diminuiu distâncias e fez com que o distanciamento se tornasse muito maior. A receita é antiga, mas funciona. A solução está no diálogo aberto dentro de casa e na inclusão dos ambientes da internet ao ambiente familiar.

Infelizmente, o ambiente escolar não tem contribuído, como já o fez outrora, para a formação de jovens com personalizada forte. A falta de regras é escandalosa. Até por experiência própria, posso afirmar que houve tempos em que fugir da sala de aula exigia um grande planejamento e inteligência. Não era qualquer um que tinha coragem de cometer tamanho “crime”. Isso mesmo! Houve tempo em que transgredir ajudava na formação da personalidade, pois exigia concentração, disciplina e depois momentos infindáveis de reflexão quando éramos flagrados.

Mas no atual quadro de desrespeito e do “tudo pode” não há mais autoridade a ser enfrentada. O estudante encontra hoje professores desmotivados ou contaminados por ideologias políticas e por experimentalismos pedagógicos de resultados duvidosos. Por que tiraram a música do currículo escolar? Por que o esporte não é mais prioridade na boa formação e na disciplina do indivíduo?

Na busca pelo fim do autoritarismo do mestre, acabamos com a autoridade, fundamental para a vida. Na ânsia de atender os jovens em tudo, tornamos o ambiente escolar e até o ambiente familiar permissivos. Estamos ensinando aos nossos jovens que o mundo se adaptaria a ele, e não o contrário. O mestre se tornou um mero detalhe.

Os pequenos prazeres e desafios, agora facilitados, deixaram de desempenhar os encantos de antes. A juventude busca as sensações instantâneas na internet, sem fiscalização e sem lei, e nas drogas, cada vez mais adaptadas ao avanço da tecnologia. Buscam novas fronteiras, cada vez mais perigosas e mortais.

A esperança é que os ensinamentos deixados pela Pandemia do COVID-19, uma tragédia civilizatória que balizou toda a humanidade e nos fez entender o quanto somos frágeis, deixe, de fato, alguns ensinamentos. Precisamos voltar a valorizar as pequenas coisas da vida. É preciso que a FAMÍLIA, o ESTADO e as demais instituições reassumam sua autoridade. Os pais precisam entender que a obrigação de EDUCAR está na família e de ENSINAR na escola.

E lembre-se: autoridade nunca foi e nunca será autoritarismo. Autoridade é amor!

*Luciano Lima é historiador, jornalista e radialista

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