Expansão do setor, que já reúne cerca de 873 mil pacientes, aumenta a necessidade de padronização, segurança e controle químico; tema será debatido pelo CFQ no Cannabis Summit 2026, em Florianópolis
O mercado de cannabis medicinal segue em expansão no Brasil e movimentou cerca de R$ 971 milhões em 2025, segundo dados da consultoria Kaya Mind. O crescimento do setor, impulsionado pelo aumento do número de pacientes e pela diversificação das formas de acesso aos produtos, também amplia a necessidade de controle de qualidade, padronização e segurança em toda a cadeia produtiva.
De acordo com o anuário mais recente da consultoria, aproximadamente 873 mil pacientes utilizavam tratamentos à base de canabinoides no país, enquanto mais de 55 mil médicos e dentistas estavam envolvidos na prescrição desses produtos.
Com a expansão do mercado, o debate passa a envolver não apenas o acesso aos tratamentos, mas também os processos necessários para garantir a identidade, composição, qualidade e segurança dos produtos que chegam aos pacientes. A cadeia inclui etapas como extração e purificação de canabinoides, caracterização química, desenvolvimento de formulações e análises laboratoriais.
O tema estará entre os assuntos discutidos durante o Cannabis Summit 2026, realizado entre os dias 12 e 14 de agosto, em Florianópolis (SC). O evento reúne especialistas e representantes do setor para debater o desenvolvimento do mercado, as boas práticas de fabricação, o controle laboratorial, a inovação e o ambiente regulatório.
CFQ destaca papel da Química na segurança dos produtos
Na sexta-feira (14), das 11h40 às 12h, o conselheiro federal e membro do Comitê de Apoio à Cadeia Produtiva de Insumos Químicos do Conselho Federal de Química (CFQ), Ubiracir Fernandes Lima Filho, participa da programação técnica para abordar o papel da Química na cadeia produtiva da cannabis medicinal.
Segundo o CFQ, o aumento da oferta e do consumo desses produtos precisa ser acompanhado pelo fortalecimento da capacidade técnica do setor, principalmente diante do avanço das pesquisas, do desenvolvimento de novas formulações e da diversificação dos modelos de acesso no Brasil.
Para Ubiracir, a participação dos profissionais da Química é fundamental para garantir que o crescimento da indústria ocorra de forma segura e dentro dos padrões técnicos exigidos.
“O avanço da cannabis medicinal no Brasil exige um rigor técnico inegociável. A atuação do profissional da Química é o pilar que sustenta qualidade desde a extração correta dos insumos até a entrega de um medicamento padronizado e seguro, garantindo a proteção da saúde pública e a consolidação de uma indústria nacional inovadora e transparente”, afirma.
Mercado entra em nova fase de desenvolvimento
Nos últimos anos, o mercado brasileiro de cannabis medicinal ganhou novos canais de acesso. Além das importações, produtos à base de canabinoides passaram a chegar aos pacientes por meio de farmácias e associações, paralelamente ao crescimento do número de profissionais habilitados a prescrever esses tratamentos.
A expansão abre espaço para diferentes segmentos da cadeia produtiva, incluindo pesquisa científica, desenvolvimento farmacêutico, produção de insumos, análises laboratoriais, formulação e controle de qualidade.
Ao mesmo tempo, o crescimento exige maior infraestrutura técnica e profissionais especializados para assegurar que os produtos mantenham características consistentes e atendam às exigências regulatórias.
Nesse cenário, a cannabis medicinal passa a ocupar também uma discussão industrial e tecnológica, além dos debates relacionados ao acesso dos pacientes aos tratamentos.
Controle de qualidade ganha importância estratégica
Para o Conselho Federal de Química, a consolidação do mercado brasileiro depende de mecanismos capazes de assegurar rastreabilidade, padronização e segurança durante todas as etapas da produção.
A atuação dos profissionais da Química envolve desde a análise dos insumos e matérias-primas até os procedimentos de extração, purificação, caracterização química, formulação e controle de qualidade dos produtos finais.
Com o aumento da escala produtiva e a diversificação das formulações disponíveis, esses procedimentos tornam-se ainda mais relevantes para garantir previsibilidade na composição dos produtos destinados à saúde.
A expansão do setor também pode representar novas oportunidades para a indústria nacional de insumos e para empresas dedicadas à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e serviços laboratoriais.
Cannabis Summit 2026
A participação do CFQ no Cannabis Summit busca reforçar a importância da ciência e da qualificação técnica no desenvolvimento do setor. A programação do evento aborda temas relacionados às boas práticas de fabricação, controle laboratorial, inovação, regulamentação e perspectivas para o mercado brasileiro.
Serviço
Evento: Cannabis Summit 2026
Data: 12 a 14 de agosto de 2026
Participação do CFQ: 14 de agosto, das 11h40 às 12h
Local: Florianópolis (SC)
Tema: Papel da Química no controle de qualidade, segurança e inovação na cadeia produtiva da cannabis medicinal
Porta-voz: Ubiracir Fernandes Lima Filho, conselheiro federal do CFQ
Sobre o CFQ
Criado pela Lei nº 2.800, de 18 de junho de 1956, o Sistema CFQ/CRQs é formado pelo Conselho Federal de Química e por 21 Conselhos Regionais, com atuação em todo o território nacional. O sistema regulamenta, orienta e fiscaliza o exercício das atividades da Química no país, contribuindo para a adoção de padrões de qualidade, segurança e conformidade técnica em produtos e serviços.
Da Redação, com informações da Agência Brasil















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