Chapada dos Veadeiros tem grupos de rochas com idades que variam de 500 milhões a 2,1 bilhões de anos. Segundo guia, região recebeu, em 2025, visitantes de 15 países.

Destino de milhares de turistas, a Chapada dos Veadeiros, no nordeste goiano, é composta por diferentes grupos de rochas, com idades que variam de 500 milhões a 2,1 bilhões de anos. Entre os cenários mais famosos da região está o Vale da Lua, conhecido pelas formações rochosas esculpidas pela água ao longo de milhares de anos.

De acordo com a geóloga Joana Paula Sanchez, a origem da região envolve uma sequência complexa de eventos ao longo do tempo geológico.

“Tudo começou com rochas de cerca de 2,1 bilhões de anos, que formam a base da Chapada. Depois, a região passou por abertura de riftes, formação de ambientes continentais e marinhos e sucessivas movimentações tectônicas”, explica.

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, é reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco desde 2001. A região abrange municípios como Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante e Colinas do Sul.

Vale da Lua, em Goiás — Foto: Reprodução/Site da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Alto Paraíso de Goiás

Formação geológica

Segundo a geóloga Joana Paula Sanchez, a região é formada por camadas geológicas diferentes, que se acumularam ao longo de bilhões de anos. De acordo com ela, a rocha mais antiga, com cerca de 2,1 bilhões de anos, é chamada de embasamento, ou seja, a base de toda a formação.

“É como um edifício. Existe uma base e, ao longo do tempo, outras camadas foram sendo depositadas por cima”, explicou.

A geóloga detalha que essas camadas correspondem a diferentes períodos da história da Terra, formando grupos geológicos distintos, como o Araí e o Traíras, que apresentam idades menores, entre cerca de 1,6 bilhão e 1,8 bilhão de anos.

Além disso, esses materiais passaram por transformações ao longo do tempo devido à movimentação das placas tectônicas, que deformaram e reorganizaram essas estruturas. “São camadas e camadas de milhões e bilhões de anos que foram sendo depositadas e modificadas ao longo do tempo”, afirmou.

Vista da Chapada dos Veadeiros a partir da estrada rual de Cavalcante, área onde a beleza natural contrasta com a disputa territorial entre Goiás e Tocantins — Foto: Bárbara França/g1 Goiás
Vista da Chapada dos Veadeiros a partir da estrada rual de Cavalcante, área onde a beleza natural contrasta com a disputa territorial entre Goiás e Tocantins — Foto: Bárbara França/Goiás

Ela destaca que, apesar de existir uma margem de erro de cerca de 500 mil anos, esse valor é considerado pequeno dentro da escala geológica, que trabalha com milhões e bilhões de anos. “É uma técnica extremamente precisa. Quando falamos em bilhões de anos, essa diferença é praticamente insignificante”, afirmou.

Vale da Lua

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás — Foto: Reprodução/André Dib
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás — Foto: Reprodução/André Dib

 

A Chapada dos Veadeiros é um dos principais polos de ecoturismo do país, reúne mais de 200 cachoeiras e recebe diferentes perfis de visitantes. A região abriga o Morro do Pouso Alto, ponto mais alto do Centro-Oeste, com cerca de 1.691 metros de altitude.

Segundo a especialista em turismo Lucilene dos Santos Rosa, há uma diversidade de experiências.

“A Chapada é muito procurada pelo Cerrado preservado, pela quantidade de cachoeiras e pela possibilidade de conexão com a natureza. Também tem essa busca pela espiritualidade, pelas experiências de bem-estar”, afirma.

Ela destaca que o destino atende a diferentes turistas, de quem busca aventura a quem quer descanso. Alto Paraíso, segundo ela, concentra o lado mais místico da região, com relatos ligados à espiritualidade e até à ufologia.

Conforme Lucilene, muitas pessoas viajam pela primeira vez para tomar banho de cachoeira e fazer uma trilha imersiva. De acordo com Lucilene, além do público brasileiro, a Chapada tem recebido cada vez mais turistas internacionais.

“No ano passado, recebemos pessoas de mais de 15 países”, destacou.

A guia afirma que áreas como Cavalcante e o território Kalunga também fazem parte desse movimento, com visitantes em busca de turismo cultural e ecoturismo.

Segundo a guia, o período entre março e setembro é o mais indicado para visitação, com destaque para junho e julho.

Mirante da janela, em Alto Paraíso de Goiás — Foto: Vanessa Chaves/g1
Mirante da janela, em Alto Paraíso de Goiás — Foto: Vanessa Chaves

Da Redação, com infirmações do G1

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