Kiko Caputo (Novo) e Maria de Lourdes Abadia (PSD) declararam apoio à governadora, enquanto Ricardo Cappelli e o PSB oficializaram adesão ao candidato do PT. Paula Belmonte (PSDB) optou pela neutralidade na disputa.

Com o segundo turno das eleições para o Governo do Distrito Federal definido, Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) intensificam as articulações políticas para ampliar suas bases eleitorais e conquistar o apoio de lideranças e partidos que ficaram fora da etapa decisiva da disputa. As alianças podem desempenhar um papel importante na reta final da campanha, especialmente na busca pelos votos dos candidatos derrotados no primeiro turno.

Celina terminou a primeira etapa na liderança, com 825.530 votos, o equivalente a 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass ficou em segundo lugar, com 569.930 votos, ou 34,47%. Agora, os dois candidatos concentram esforços na ampliação de suas alianças e na conquista de eleitores que ainda não definiram seu posicionamento para a votação decisiva.

Até quinta-feira (8), Celina havia recebido o apoio de Kiko Caputo (Novo) e da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia (PSD). Já Grass ganhou o reforço de Ricardo Cappelli e do PSB, que oficializou a adesão à candidatura petista. A ex-deputada Paula Belmonte (PSDB), por sua vez, decidiu não declarar apoio a nenhum dos dois concorrentes.

Celina Leão amplia alianças com adesões do Novo e do PSD

A candidatura de Celina Leão chegou ao segundo turno respaldada por uma ampla aliança partidária. No primeiro turno, a governadora disputou a eleição pela coligação Propósito e Ação, que reuniu Republicanos, MDB, Podemos, PL, DC, Mobiliza, Democrata, Federação Renovação Solidária e Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP.

O PSD-DF também declarou apoio à candidatura de Celina durante o primeiro turno, após a saída de José Roberto Arruda da disputa. O ex-governador, entretanto, não acompanhou publicamente a decisão partidária e evitou manifestar apoio a qualquer um dos candidatos.

Na tentativa de ampliar sua base eleitoral, Celina iniciou conversas com os candidatos derrotados no primeiro turno. Um dos primeiros entendimentos foi firmado com Kiko Caputo, quarto colocado na disputa pelo Palácio do Buriti.

Na quarta-feira (7), Kiko e o Novo oficializaram apoio à governadora, condicionado à assinatura de uma carta de compromissos. O documento estabelece diretrizes relacionadas à responsabilidade fiscal, transparência na administração pública, combate ao desperdício, escolha de equipes com critérios técnicos e enfrentamento à corrupção.

Apesar das críticas feitas à gestão durante o primeiro turno, Kiko justificou a decisão pela proximidade ideológica entre os dois grupos políticos.

“Apesar de termos severas críticas à forma da condução do governo, nós temos uma concordância ideológica que nos impõe estar com ela agora”, afirmou.

Na quinta-feira (8), Celina também recebeu o apoio da ex-governadora Maria de Lourdes Abadia, do PSD. Segundo Abadia, a decisão levou em consideração compromissos assumidos pela candidata com iniciativas voltadas à saúde pública e à população idosa.

As adesões reforçam a estratégia da governadora de preservar a ampla composição política construída antes do primeiro turno e ampliar o diálogo com segmentos que apoiaram outras candidaturas.

Leandro Grass recebe apoio de Cappelli e do PSB

Leandro Grass disputa o segundo turno pela coligação DF do Povo, formada pela Federação Brasil da Esperança, PDT e Federação PSOL Rede.

O principal apoio nacional à candidatura é o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que participou de atividades de campanha no Distrito Federal ainda no primeiro turno, pediu votos para o candidato petista e manifestou disposição de se envolver diretamente na disputa local. Na sexta-feira (9), os dois participaram de uma caminhada em Ceilândia.

Outro reforço importante veio de Ricardo Cappelli, do PSB. Logo após a divulgação do resultado do primeiro turno, no domingo (4), Cappelli anunciou nas redes sociais que votaria em Grass, em oposição à continuidade do grupo político que administra o DF.

“Celina e Ibaneis de novo, não. No 2º turno, votarei em Leandro Grass”, escreveu.

Na quinta-feira (8), o PSB oficializou o apoio ao candidato do PT, transformando a manifestação individual de Cappelli em uma posição partidária.

Grass afirmou que pretende incorporar ao programa de governo propostas apresentadas por Cappelli durante a primeira etapa da eleição. Entre os temas mencionados estão medidas direcionadas aos trabalhadores e aos entregadores que atuam por meio de aplicativos.

A candidatura também conta com o engajamento de parlamentares de esquerda eleitos para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Entre os nomes citados estão Gabriel Magno, Chico Vigilante e Ricardo Vale, do PT; Max Maciel e Keka Bagno, do PSOL; além de Dayse Amarilio e Múcio Botelho, do PSB.

No Congresso Nacional, Grass destacou ainda a participação dos deputados eleitos Fábio Felix (PSOL) e Agnelo Queiroz (PT) na mobilização em torno de sua candidatura.

Com o apoio do PSB, de Cappelli e de lideranças de esquerda, o petista busca fortalecer sua campanha e ampliar o alcance eleitoral para além da base que o acompanhou no primeiro turno.

Paula Belmonte escolhe a neutralidade

Enquanto os dois candidatos buscam novas adesões, Paula Belmonte (PSDB) decidiu não declarar apoio a nenhum dos concorrentes.

A posição mantém em aberto o destino político de parte do eleitorado que votou na candidata no primeiro turno. Esses votos são considerados relevantes na disputa, embora a decisão dos eleitores não dependa necessariamente da orientação política de suas lideranças.

O mesmo desafio se estende aos demais candidatos derrotados: conquistar o apoio de dirigentes e partidos pode ampliar a visibilidade das campanhas, mas não garante a transferência automática dos votos obtidos na primeira etapa.

Disputa entra na fase decisiva

Com Celina Leão partindo de uma votação mais expressiva no primeiro turno e Leandro Grass tentando reduzir a diferença, as articulações políticas ganham importância na reta final da eleição.

A governadora aposta na manutenção de sua ampla aliança e na chegada de novos apoiadores, enquanto o candidato petista busca fortalecer a frente de esquerda e ampliar o diálogo com setores insatisfeitos com a atual gestão.

O resultado dependerá não apenas dos apoios partidários anunciados, mas também da capacidade de cada campanha de convencer os eleitores indecisos e conquistar os votos de quem escolheu outros candidatos na primeira etapa da eleição.

Da Redação

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