Originárias de Madagascar, árvores conquistam o coração dos brasilienses com suas copas vibrantes, sombra acolhedora e floração exuberante.

Em meio ao clima seco típico do cerrado e às cores acinzentadas que tomam conta da paisagem do Distrito Federal nesta época do ano, um espetáculo silencioso começa a ganhar forma: os flamboyants florescem.

A partir de outubro, e até o fim do verão, copas flamejantes em tons de vermelho, laranja e amarelo transformam ruas, canteiros e quadras de Brasília em verdadeiras galerias a céu aberto. A beleza chama atenção não apenas pela intensidade das cores, mas também pela forma imponente da árvore, que pode atingir até 13 metros de altura e cujos galhos formam uma copa semelhante a um guarda-chuva natural.

Apesar de estarem bem adaptadas ao clima da capital, os flamboyants são originários de Madagascar, na África, e chegaram ao Brasil no século 19. Hoje, fazem parte da identidade visual e afetiva do DF. Estima-se que existam cerca de 100 mil unidades da espécie espalhadas pelo território brasiliense, segundo a Novacap, empresa responsável pela zeladoria e manutenção das árvores urbanas da capital.

“É uma espécie que as pessoas gostam muito pela floração exuberante. Mas, por ter raízes fortes e madeira menos densa, é importante o plantio longe de calçadas e postes, com podas regulares”, explica Tiago Alencar de Araújo, assessor da Novacap.

O nome “flamboyant” vem do francês e significa “flamejante”, em alusão direta à intensidade cromática das flores. A natureza, neste caso, entrega arte – e até surpresas: em anos atípicos, algumas árvores exibem florações duplas, como uma reação sensível às mudanças climáticas e à chegada precoce de chuvas.

Na Asa Norte, quem testemunha esse espetáculo de perto é a aposentada Risalva Carneiro Ferreira, de 74 anos. Em frente à sua casa, dois flamboyants — um laranja e outro amarelo, mais raro no DF — transformam a paisagem durante a seca.

“Quando eles florescem, ficam cheios, com folhas bem verdes depois da chuva e muitas flores mesmo no tempo seco. São lindos de ver”, conta, com olhos brilhando de encantamento.

O cenário, que poderia facilmente ilustrar cartões-postais ou telas de pintores, nos lembra que, mesmo na aridez, a natureza insiste em florescer. Os flamboyants são prova disso: resiliência colorida em plena seca do cerrado.

 

Fonte: Agência Brasília /  Foto: Matheus H. Souza/Agência Brasília

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui