Parlamentar critica demora na apuração do escândalo bilionário, acusa omissão da base governista e condena decisão que condiciona pagamento à desistência de ações judiciais.

O líder da Oposição no Congresso Nacional, senador Izalci Lucas (PSDB-DF), voltou a cobrar, em discurso no plenário do Senado, a instalação imediata da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo de corrupção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que envolve prejuízos estimados em R$ 6,3 bilhões.

Segundo Izalci, o caso, revelado no semestre passado, já deveria ter resultado em prisões e responsabilizações. De acordo com dados do próprio INSS, mais de R$ 1 bilhão foi devolvido às vítimas. No entanto, o senador denunciou que o valor não foi recuperado junto aos criminosos, mas pago com dinheiro público.

“O que está sendo devolvido sai dos impostos pagos por todos os brasileiros — até da criança que compra uma balinha na padaria. Mais uma vez, é o povo que paga a conta enquanto os bandidos seguem soltos, gastando o dinheiro roubado”, afirmou.

O parlamentar também criticou a ausência de mobilização da base governista para apoiar a investigação:

“Cadê a esquerda pedindo CPMI? Cadê a cobrança para investigar o irmão do presidente Lula e o sindicato dele, que é um dos principais envolvidos nesse roubo? Nessa hora, ninguém aparece.”

Outro ponto criticado por Izalci foi a decisão monocrática do ministro Dias Toffoli, que autorizou o pagamento aos aposentados e pensionistas fora do Orçamento e sem impacto no arcabouço fiscal, mas condicionou o recebimento à desistência de ações judiciais contra o governo ou o INSS.

“Isso é ilegal. O Código de Defesa do Consumidor é claro: quem foi lesado tem direito a receber em dobro. Condicionar o pagamento à renúncia de um direito é inconstitucional e será derrubado pela Justiça”, disse.

O senador ressaltou que práticas fraudulentas contra aposentados e pensionistas — como falsificação de assinaturas, autorizações indevidas para empréstimos consignados e descontos ilegais — já ocorrem há anos.

“Vamos identificar caso a caso, independentemente de data ou governo, para que todos recebam em dobro aquilo que lhes foi retirado. Isso é justiça.”

Por fim, Izalci reforçou que seguirá pressionando pela instalação da CPMI ainda esta semana, para assegurar a apuração completa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

De: Redação

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