Enrique Lewandowski teria atuado na defesa de entidades acusadas de desviar mais de R$ 730 milhões de aposentados e pensionistas.

O senador Izalci Lucas (PL/DF) protocolou nesta semana um requerimento para convocar o advogado Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, a prestar depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Segundo o parlamentar, a participação de Enrique é considerada fundamental para esclarecer o envolvimento de entidades acusadas de operar como “fachada” em um dos maiores esquemas de corrupção já registrados contra aposentados e pensionistas. A investigação aponta que mais de R$ 730 milhões podem ter sido desviados.

Izalci destacou que Enrique atuou como advogado da Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC) e do Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (CEBAP) — organizações investigadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por envolvimento direto nas fraudes.

🔹 Contrato em momento crítico
A contratação do advogado ocorreu meses antes da deflagração da Operação Sem Desconto, que revelou um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. O contrato com o CEBAP previa, entre outras funções, a representação da entidade em órgãos federais, incluindo a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, chefiado por seu pai.

Para Izalci, esse cenário levanta sérias suspeitas de conflito de interesses e até de possível tentativa de obstrução das investigações. “Não estamos diante de uma mera contratação de serviços jurídicos, mas de uma defesa institucional de entidades acusadas de fraudar aposentados em escala bilionária”, argumenta o senador.

🔹 Recursos sob suspeita
O requerimento também questiona a origem dos recursos usados para pagar os honorários de Enrique. Há indícios de que o dinheiro teria sido desviado diretamente de aposentados e pensionistas lesados pelo esquema.

Izalci reforçou que a convocação é urgente: “É preciso ouvir o advogado para compreender de que forma essas entidades buscavam influência e quais foram os reais interesses defendidos. A CPMI deve se debruçar sobre todos os vínculos que possam ter facilitado ou blindado esse esquema criminoso”.

Com a análise do requerimento em andamento, Enrique Lewandowski pode se tornar uma das figuras centrais da CPMI do INSS nos próximos dias.

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