Selecionada pelo programa Pontes para o Mundo, estudante de 17 anos realiza intercâmbio no País de Gales e leva consigo a história de uma família unida pelo sonho de mudar de vida.

Letícia Joana Alves tem apenas 17 anos, mas já carrega nas malas um sonho que muitos só ousam guardar no peito. Estudante do CEM 02 de Ceilândia, ela foi uma das 102 selecionadas pelo programa “Pontes para o Mundo”, iniciativa da Secretaria de Educação do DF (SEEDF) que oferece intercâmbio gratuito para alunos da rede pública.

No começo de setembro, Letícia embarcou para viver três meses no País de Gales, no Reino Unido — sua primeira viagem internacional. A experiência, que parecia distante para quem cresceu em uma realidade onde cada conquista é suada, se tornou realidade através da educação pública.

“Estava sentada na calçada, pensando no meu futuro. No dia seguinte, estava com a mala pronta para cruzar o oceano”, lembra.

No novo país, ela descobriu outra dinâmica escolar — com mais autonomia para os alunos, estrutura diferenciada e oportunidades palpáveis. Mas Letícia garante: o potencial dos estudantes brasileiros é o mesmo.

“Se a gente tivesse a estrutura que tem aqui, de lá sairiam gênios, eu não tenho dúvida. O que me deixa mais feliz é saber que estão investindo em educação pública. Estar aqui é a prova viva disso.”


🌎 Ponte para o mundo, raízes firmes em Ceilândia

O que move Letícia não é só curiosidade pelo mundo, mas a vontade de transformar a própria realidade. E isso vem de casa.

Inspirada pela irmã, que cursa Nutrição na UnB pelo PAS, e guiada pelo exemplo da mãe — Marcilene de Lima, promotora de vendas que trabalhou com o braço machucado para não perder o emprego — Letícia aprendeu cedo que estudar é um ato de resistência.

“Ela me disse: ‘Pra ter uma vida diferente, você tem que estudar’. Isso ficou na minha cabeça”, conta a jovem.

A família — formada por Marcilene, o pai Jaílson Alves, pintor de automóveis, e as irmãs Lívia Michelle e Laura Miriam — é o alicerce de tudo. “Nós cinco somos muito unidos. Em tudo o que acontece, estamos juntos, um apoiando o outro”, diz Marcilene, com a voz embargada de orgulho.

Mesmo do outro lado do Atlântico, Letícia mantém a conexão com casa: chamadas diárias, mensagens de carinho e o sentimento de missão em andamento.

“Sinto saudade, claro. Mas o que estou vivendo aqui me faz querer ainda mais mudar a minha realidade e a da minha cidade. Eu amo Ceilândia. Amo a minha cultura. O jeito do brasileiro é único: empatia, calor humano, força.”


🟢 Sobre o programa Pontes para o Mundo

Criado pela SEEDF, o Pontes para o Mundo seleciona alunos da rede pública do DF para intercâmbios em países de língua inglesa, com foco no aperfeiçoamento do idioma e vivência multicultural. Em 2025, 102 estudantes foram contemplados com a oportunidade de estudar no Reino Unido por três meses — uma iniciativa que reforça o papel da escola pública na promoção da equidade e do protagonismo juvenil.

Fonte: Agência Brasília / Foto: Divulgação/SEEDF

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