Figuras envolvidas em casos de corrupção, como Gim Argello e José Roberto Arruda, se reaproximam em movimento que tenta reocupar espaços de poder no Distrito Federal

Figuras conhecidas da política brasiliense e marcadas por escândalos de corrupção voltam a se movimentar para disputar as eleições de 2026 no Distrito Federal. Entre os nomes, estão o ex-senador **Gim Argello** e o ex-governador **José Roberto Arruda**, ambos condenados por corrupção e que agora articulam uma reaproximação política em busca de espaço no cenário local.

A movimentação reacende o temor de um retorno da chamada “velha política”, caracterizada por acordos de bastidor, troca de favores e esquemas de blindagem mútua. Para analistas, trata-se de um sinal de que antigos grupos de poder, outrora desarticulados por investigações e condenações judiciais, voltam a se organizar com apoio de setores que ainda conservam influência.

Histórico de condenações

Gim Argello, condenado a 19 anos de prisão por receber R$ 7,35 milhões em propinas de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, ficou apenas três anos preso. Em 2024, decisões judiciais do STJ e do TRE-DF o devolveram à elegibilidade. Desde então, o ex-senador tem buscado se recolocar no debate político, utilizando blogs e aparições públicas para retomar visibilidade.

Ao seu lado aparece José Roberto Arruda, ex-governador do DF e protagonista do escândalo conhecido como **“Mensalão do DEM”**, flagrado em vídeo recebendo dinheiro do delator Durval Barbosa. Arruda, que chegou a ser preso e cassado, tenta reconstruir sua imagem política com discursos de superação e fé.

Outros nomes e o discurso da “nova chance”

Também figuram nesse movimento o ex-governador **Agnelo Queiroz**, réu em ações sobre superfaturamento nas obras do Estádio Mané Garrincha — que custou R$ 1,4 bilhão aos cofres públicos —, e o ex-deputado **Júnior Brunelli**, conhecido pela chamada “oração da propina”, episódio emblemático do período mais conturbado da política local.

Apesar dos antecedentes, os antigos protagonistas voltam a falar em ética, fé e reconstrução, tentando se reposicionar como alternativas viáveis para o eleitorado. A estratégia aposta na nostalgia e no esquecimento do eleitor.

Memória política à prova

Brasília, porém, ainda carrega as cicatrizes de décadas de escândalos e má gestão. A volta desses personagens coloca à prova a memória do eleitor brasiliense, que em 2026 terá a oportunidade de decidir se o Distrito Federal repetirá capítulos do passado ou abrirá espaço para novas lideranças.

Da Redação

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