Inelegível até 2030, ex-governador tenta recuperar espaço com ataques pessoais, mas enfrenta reação dura de Ibaneis e isolamento até entre aliados
Inelegível por decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ex-governador José Roberto Arruda (PL) voltou aos holofotes nesta semana — não por propostas, mas por ataques. Em uma publicação nas redes sociais, Arruda chamou o governador Ibaneis Rocha (MDB) de “feio por fora e por dentro”, acusando-o de articular com o Judiciário para impedir sua candidatura nas eleições de 2026.
A ofensiva, interpretada por aliados de Ibaneis como “ato de desespero”, veio logo após o STJ confirmar sua inelegibilidade até 2030, com base em condenações da Operação Caixa de Pandora, que revelou um esquema de corrupção de cerca de R$ 900 milhões em contratos públicos entre 2007 e 2010.
As postagens, recheadas de montagens e ironias, viralizaram nas redes, mas tiveram repercussão negativa. A assessoria de Ibaneis reagiu com firmeza, classificando o episódio como “desespero de um político derrotado” e informou que pode acionar Arruda judicialmente por injúria e difamação, com base no artigo 140 do Código Penal.
A vice-governadora Celina Leão (PP), que lidera as pesquisas de intenção de voto com 28%, também criticou o comportamento do ex-governador:
“Política se faz com propostas, não com ofensas pessoais. Arruda mostra por que foi cassado e por que o povo rejeita seu retorno”, afirmou Celina, hoje tida como sucessora natural de Ibaneis.
A nova decisão judicial — publicada nesta semana — derrubou a última tentativa de Arruda de reverter sua inelegibilidade, mesmo após as mudanças de 2023 na Lei da Ficha Limpa. Antes do revés, ele aparecia com 14% nas pesquisas do Ipespe, empatado com Fred Linhares e Leandro Grass.
Com a crise, aliados começam a se afastar. O deputado distrital Roosevelt Vilela (PL) foi um dos primeiros a se pronunciar:
“Respeito Arruda, mas ofensas não ajudam ninguém. Precisamos de diálogo, não de baixarias.”
Enquanto Arruda tenta recuperar relevância com ataques, Ibaneis mantém 60,2% de aprovação e já é apontado como possível candidato ao Senado em 2026. Celina Leão, fortalecida pela estabilidade política do governo e pela ausência de adversários fortes no campo conservador, consolida-se como o principal nome para a sucessão no Palácio do Buriti.
Entre derrotas judiciais e desgaste político, Arruda insiste na estratégia do confronto — mas, desta vez, nem mesmo os antigos entusiastas parecem dispostos a segui-lo.
Da Redação














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